quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

De volta a Porto Seguro (2)

Na revista da polícia, na entrada de Porto Seguro (em Eunápolis, para ser mais preciso), o policial levou um susto ao abrir o porta malas do Uno. Estava abarrotado de coisas. – Esses carros de campistas são os mais complicados de se revistar, disse o guarda.

O valente Uno teve a bateria avariada assim que chegamos a Porto Seguro. Tivemos que perder uma tarde (a única vez que choveu enquanto estivemos lá) para o concerto em Eunápolis. Na hora de lavar o carro, o menino encontrou nossa arma escondida embaixo do carpete do carona: uma faca dessas de serrinha, usada corriqueiramente em mesas familiares. Riu. Certamente lembrou das peixeiras usadas pelos pescadores, bem mais eficientes para o corte da comida ou para dilacerar desafetos.

Não tivemos que usar nossa faca nem para um nem para outro caso.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Trilha sonora para uma semana viajandona

Pink Floyd (os primeiros discos), Brian Eno, Pat Metheny (One Quiet Night ou Offramp), Kraftwerk (Radio Activity) e Portishhead (Dummy).

De volta a Porto Seguro

A primeira vez que fui a Porto Seguro foi uma das viagens mais legais que já fiz. Fomos de carro, eu e minha mulher. Se é que se pode chamar de carro um Fiat Uno, 1992, de quatro marchas. Fomos acampar. Levamos quatro dias para chegar e aproveitamos toda a semana de carnaval. Foi a primeira e única vez que vi Ivete Sangalo ao vivo - no trio elétrico da Banda Eva. Isso foi em 1996. Às vésperas de retornar àquele lugar lindo, relembro lances dessa aventura fantástica.

Decidimos de repente empreender a viagem visitamos parentes em Porto Alegre e partimos, no sábado de carnaval, munidos de espírito de aventura, mapas e guias. Fizemos a viagem de ida em quatro etapas, com paradas em uma pousada em Peruíbe (SP), num hotel de Volta Redonda (RJ), e num hotel de posto de beira de estrada em Vitória. Só fomos revistados pela polícia na chegada de Porto Seguro.

Dessa ida, ficaram marcadas as imagens de Cubatão e seus imensos dutos morro acima, as pontes da rodovia dos imigrantes, a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) em Volta redonda, as ruínas em São Mateus (ES) e a terceira ponte entre Vitória e Vila Velha. Seguem algumas imagens que eu achei capturadas na época.








CSN em Volta Redonda






Hotel de beira de estrada em Vitória




Ruinas em São Mateus (ES)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Trilha sonora para uma semana raivosa

The Trashmen, The Cramps, PIL (Flowers of romance), My Bloody Valentine e Sonic Youth.

Sonhei com você

Esta noite sonhei com você um sonho bom. Estávamos em Rivera, cidade uruguaia vizinha à brasileira Sant’Ana do Livramento, onde nasci e morei até os 18 anos. Meus sonhos têm sido assim: misturam épocas, lugares e pessoas que fazem parte da minha vida. Sonhos pós-modernos.

Começamos a noite em um bar, só nós dois. Conversamos, bebemos e acompanhamos o movimento das pessoas. Depois fomos a um restaurante para jantar. Conversamos mais e sentimos que a noite não acabaria por aí. Partimos, então, para um motel e fizemos aquelas coisas que se fazem em motéis. Foi bom: calmo, sem pressa e sem tensão. A noite acabou sem compromissos firmados, pelo menos foi o que eu senti.

No dia seguinte, fui encontrar com amigos. Contei, obviamente, o que acontecera entre nós. Eles não te conhecem bem. Por isso o papo girou em torno das coisas que vivemos, eu e eles, em outras épocas. Ficamos conversando por horas, acompanhados de petiscos e cerveja; fazia tempo que não nos encontrávamos.

Em meio às estórias, por vezes, lembrava de você, da noite anterior... Ao despedir-me dos companheiros, já muito alegre de cerveja, decidi que me encontraria novamente com você. E explicaria que tinha gostado muito de estar com você, mas que não me sentia ainda pronto para assumir um relacionamento mais sério e constante. Quem sabe depois de mais uns encontros o carinho que senti naquela noite se transformasse em outra coisa. Afinal, assumir compromissos sérios depois de apenas um encontro envolve riscos de descontentamento posterior. Será que você entende?

Daí, o sonho acabou.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Versos satânicos

Acabei de ler o livro do Salman Rushdie, um daqueles cuja leitura a gente vai adiando... Soube da existência desse livro na época do lançamento dele, em 1989. Isso por causa da polêmica que gerou no mundo islâmico. O aiatolá Khomeini condenou o escritor à morte por ofensas ao Islão, o que obrigou Rushdie a viver no anonimato durante vários anos.

As discussões na minha turma de colegas universitários giravam em torno do absurdo de se condenar um escritor à morte por causa de sua obra, da teocracia no Irã e da liberdade de criar. Mas ler o livro que é bom, quase nenhum dos debatedores lera. Eu não li na época por falta de interesse. Achei que o livro não era tão interessante quanto as discussões de bar que gerava.

Pois bem. No ano passado, encontrei o Versos Satânicos na coleção de bolso da L&PM e comprei. E não é que o livro é bom! Mistura realidade e fantasia, discutindo a luta entre o bem e o mal. Apesar de ser situada na Índia e na Inglaterra, a história traz temas que são universais: a religião, a política, o poder, os relacionamentos. A tendência do escritor nessa obra é apontar a predominância do mal sobre o bem, em todas as questões abordadas.

Não é um livro com final feliz. Também não é um livro fácil de ler. Exige atenção e leitura sistemática para que não se percam as relações entre os personagens e entre a realidade e a fantasia. Mas é um livro que faz pensar, imaginar. Fiquei com vontade de ler outras coisas do Rushdie. Quem sabe, um dia desses...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Chuva nos pampas

As nuvens vêm numa camada cinzenta, ao longe, das bandas do Uruguai, prenunciando a chuva. O céu azul ainda predomina e traz uma sensação de regozijo, de que está tudo bem. Mas aquelas nuvens que se aproximam são um sinal de que as coisas podem mudar de uma hora para outra.

Então a chuva chega. O azul dá lugar ao cinza, que cobre toda a imensidão das coxilhas. A melancolia dos dias chuvosos invade a alma. Será que isso não terá mais fim?

O olhar procura uma saída através das gotas que salpicam os vidros do ônibus. Só depois de algum tempo começam a delinear-se nuvens e tonalidades que fogem à camada cinzenta da tempestade. Sim, nova mudança prenuncia caminhos de céu azul, ainda que demorem a chegar.

E a viagem continua.